O feudalismo enquanto sistema econômico era baseado na posse da
propriedade agrária e na relação de trabalho servil que se consolidou durante
os séculos X e XI, tendo seu ápice durante os séculos XII e XIII na Europa
Ocidental. A formação do modo de
produção feudal remonta a crise do Império romano e da sua economia baseada na
agricultura e no uso da mão de obra escrava capturada nas guerras de expansão
do Império. O historiador inglês Perry Anderson
interpretou o advento do modo de produção feudal, enquanto nova forma de
organização econômica e social na Europa Ocidental, como decorrente de uma
longa simbiose entre as formações sociais germânicas e romanas.
Os historiadores demarcaram nos séculos XIV e XV enquanto momento de
crise do feudalismo. Contudo, as razões da crise e a transição para a nova
forma de produção, baseada na busca pelo lucro e na exploração do trabalho
assalariado, suscitou um rico debate historiográfico. Na
linha da corrente historiográfica marxista, a questão tornou-se um assunto profícuo
para a discussão historiográfica. Na ótica do marxismo os fatores que levaram a
dissolução do modo de produção feudal devem ser encontradas nas contradições
internas das estruturas econômicas do modo de produção. Em outros termos, segundo
a leitura do materialismo histórico, as estruturas econômicas feudais entraram em crise
devido a sua própria dinâmica interna.
Inserida na arenga historiográfica, localizamos a tese do historiador
inglês Maurice
Dobb. Para o citado autor, o feudalismo baseava-se essencialmente na
relação entre senhores feudais, proprietários das terras, e servos, explorados
pelos primeiros. De acordo com argumentação do
historiador, os elementos de desestruturação do sistema feudal foram às revoltas
camponesas, causadas, por sua vez, pela crescente exploração dos senhores
feudais sobre os servos. Nesse sentido, na medida em que os senhores feudais procuravam
aumentar suas rendas, majoraram as obrigações feudais e a exploração sobre os
servos. O que resultou na fuga dos
camponeses para a cidade como forma de escapar da subordinação ao senhor feudal
e produziu uma série de revoltas
contra exploração dos senhores. Assim, para Maurice Dobb, foi a partir do
conflito da dinâmica interna do sistema feudal, entre as duas classes sociais, que
levaram a crise e o declínio do modo de produção feudal, e emergiram as
transformações que levaram ao desenvolvimento do novo modo de produção, o
capitalismo.
No campo oposto ao ponto de vista de Maurice Dobb, encontra-se a tese do
historiador Paul Sweezy, que defendeu a ideia do crescimento do comércio,
ocorrida entre os séculos XI e XIV, enquanto o fator essencial na dissolução do
feudalismo. Para Paul Sweezy, sendo o sistema feudal baseado na produção para o
uso e consumo, não tinha o comércio como atividade inerente a sua dinâmica
interna, assim, as trocas comerciais crescentes inseriram um elemento novo e
antagônico a economia feudal. O crescimento comercial levou ao desenvolvimento
das cidades e atividades manufatureiras, elemento que provocou a fuga dos
servos para as cidades. Em síntese, sua tese explicava o desmantelamento do
sistema feudal e a emergência das relações capitalistas a partir do desenvolvimento
de um fator externo ao modo de produção, no caso, o comércio e a produção
voltada para o mercado.
Referências:
ANDERSON, Perry. Passagens da Antiguidade ao Feudalismo. São Paulo. Brasiliense, 2000.
HILÁRIO, Franco Júnior. O feudalismo. São Paulo. Brasiliense, 1994.
HILTON, Rodney e et all. A transição do feudalismo para o capitalismo. Tradução: Isabel Didonnet. Rio de Janeiro. Paz e Terra, 1977.
SALINAS, Samuel Sérgio. Do feudalismo ao capitalismo: transições. São Paulo. Atual, 1988.
Referências:
ANDERSON, Perry. Passagens da Antiguidade ao Feudalismo. São Paulo. Brasiliense, 2000.
HILÁRIO, Franco Júnior. O feudalismo. São Paulo. Brasiliense, 1994.
HILTON, Rodney e et all. A transição do feudalismo para o capitalismo. Tradução: Isabel Didonnet. Rio de Janeiro. Paz e Terra, 1977.
SALINAS, Samuel Sérgio. Do feudalismo ao capitalismo: transições. São Paulo. Atual, 1988.
Comentários
Postar um comentário